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Receita federal prepara novo sistema para arrecadar mais impostos e acabar com a sonegação

A Receita Federal está desenvolvendo um sistema gigantesco para acompanhar a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional. Para se ter uma ideia, ele será 150 vezes maior do que o PIX em volume de informações e vai processar cerca de 70 bilhões de documentos por ano.

Mas afinal, o que muda na prática? Vamos explicar com exemplos simples.


O que é esse novo sistema?

Esse sistema vai unificar a forma como os tributos sobre consumo são recolhidos. Hoje, temos uma grande quantidade de impostos diferentes, como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Eles vão dar lugar a dois novos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal)
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual e municipal)

O sistema também terá um módulo chamado “split payment”, que significa que o valor do imposto será separado automaticamente no momento da compra e enviado para o governo, estados e municípios.


Como funciona na prática?

Imagine que você compra uma televisão de R$ 2.000 pela internet.

  • Hoje: a loja recebe todo o valor, depois calcula os impostos, gera guias e paga os tributos em datas diferentes. Isso abre espaço para erros, atrasos ou até sonegação.
  • Com o novo sistema: no momento em que você paga, o sistema já separa automaticamente os valores devidos em impostos e envia para cada esfera (União, estado e município). A loja recebe apenas a parte que é dela.

O que muda para as empresas?

  • Menos burocracia: não será mais necessário preencher várias guias manuais de impostos.
  • Fluxo de caixa diferente: o dinheiro do imposto não passa mais pelo caixa da empresa, ou seja, não haverá como atrasar o pagamento. Isso exige mais organização financeira.
  • Créditos tributários mais rápidos: se uma empresa compra insumos e tem direito a créditos de impostos já pagos, a devolução poderá acontecer em questão de horas ou dias, e não mais em meses.

Exemplo: uma padaria que compra farinha de trigo paga impostos nessa compra. Hoje, ela precisa esperar e calcular para reaver esse valor. No novo sistema, o crédito poderá cair quase em tempo real.


E para o consumidor comum?

A reforma prevê um “cashback de impostos” para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.

  • Exemplo: se uma família compra R$ 500 em supermercado, pode receber de volta 20% do imposto pago em produtos que não sejam da cesta básica. Esse valor seria devolvido mensalmente direto na conta.

Além disso, em contas como água, luz, gás e telefonia, o sistema já vai calcular descontos automáticos antes mesmo do pagamento.


Quando começa a valer?

  • 2026: início em fase de testes, com cobrança simbólica de 1%.
  • 2027: começa a valer de verdade para a CBS, substituindo o PIS e Cofins.
  • 2029 a 2032: transição gradual do ICMS (estadual) e ISS (municipal) para o IBS.

Ou seja, será um processo por etapas, para que empresas e consumidores possam se adaptar.


Impacto esperado

  • Redução da sonegação fiscal: já que o imposto será recolhido automaticamente.
  • Fim das “noteiras”: empresas de fachada que emitem notas falsas para fraudar o sistema não terão mais espaço.
  • Arrecadação maior: especialistas calculam que o governo pode arrecadar até R$ 500 bilhões a mais por ano.

Conclusão

O novo sistema da Receita Federal promete transformar completamente a forma como os impostos são pagos no Brasil. Ele traz mais transparência, rapidez e justiça fiscal, mas também exige mais profissionalização e tecnologia das empresas. Para os consumidores, há a expectativa de mais clareza nos preços e devolução de parte dos impostos para quem mais precisa.

Fonte: g1

Assista ao vídeo que explica essas mudanças:

Renato Cunha

Escritor

Renato Cunha

Escritor

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